É oficial: o Oriental está na II Liga. Os Guerreiros de Marvila garantiram a subida com o empate (1-1) frente ao Ferreiras, naquela que foi a última jornada da fase de subida do Campeonato Nacional de Seniores, zona sul. Com grande maturidade e uma enorme capacidade de sofrimento, o Oriental conquistou de forma merecida um precioso ponto que valeu 25 anos mais tarde o histórico regresso ao segundo maior escalão do futebol nacional no culminar de um percurso recheado de mérito de todos os jogadores, equipa técnica e estrutura diretiva que tornaram o sonho realidade.

 

Ainda não tinha a partida começado e já a bancada do Estádio da Nora, em Albufeira, estava vestida de grená e branco pelas largas dezenas de orientalistas que fizeram questão de apoiar o seu clube de sempre. 

 
Foi assim a festa da subida no Estádio da Nora, em Albufeira. 
 
 


Impulsionado pelos incansáveis gritos de incentivo, o Oriental entrou em campo com vontade de se adiantar no marcador com brevidade e foi mesmo isso que aconteceu. Decorria o minuto 18 quando na sequência de uma investida individual de Pedro Alves pela esquerda, Anderson inaugurou o marcador com um remate oportuno ao primeiro poste.

 

O ascendente ofensivo da equipa de Marvila manteve-se ao longo de toda a primeira parte e por duas ocasiões Sebastien e Tom podiam ter dilatado a vantagem orientalista, até que segundos antes de o árbitro apitar para o descanso intermédio o Ferreiras conseguiu chegar ao empate. Depois de uma jogada de insistência pelo flanco esquerdo, Pias apareceu isolado no coração da área para consumar de cabeça a igualdade (44’).

 

Pouco tempo mais tarde veio a segunda metade do encontro e com ela a demonstração do enorme carácter da turma liderada por João Barbosa. O Ferreiras nada tinha a ganhar ou a perder com este encontro mas tudo deu para alcançar a vitória, não sendo contudo capaz de superar a eficaz organização defensiva do Oriental. Muito solidária em todos os momentos do jogo e convicta de que o sonho estava tão perto de ser concretizado, o conjunto grená e branco soube ter a frieza para neutralizar com tranquilidade as investidas ofensivas do adversário e o (enorme) coração para controlar a ansiedade e saber sofrer.

 

Ultrapassados os quatro minutos de compensação dados pelo árbitro Luís Reforço, ouviu-se o apito final e com ele o desenrolar de uma enorme festa que se prolongou com muitas lágrimas até para lá da meia-noite já no Campo Eng.º Carlos Salema, junto das centenas de orientalistas que proporcionaram uma receção calorosa e inesquecível aos Guerreiros de Marvila. Esta foi acima de tudo uma vitória da coragem, do trabalho e da humildade de um grupo de heróis que sempre acreditou que era possível. A equipa técnica liderada por João Barbosa e os seus jogadores honraram diariamente a camisola do Oriental em cada treino e em cada jogo e o balanço final não poderia ser mais positivo: um Campeonato Nacional de Seniores composto por 80 equipas em que apenas duas sobem diretamente à II Liga, e uma delas foi o Oriental.

 

Um quarto de século passado desde a época de 1988/1989 em que o Oriental marcou presença na então denominada 2.ª Divisão, o sonho da ascensão ao segundo maior escalão do futebol nacional está concretizado mas há ainda uma batalha por disputar. É ela a final absoluta do CNS em que o Oriental vai defrontar o Freamunde (primeiro classificado da zona norte) pelo título de campeão nacional. A partida será discutida no dia 10 de Junho, feriado nacional, em local e hora ainda a definir.

 

O sonho está vivo!

Oriental: Mais que um Clube, uma Paixão.