A temporada de 2014/2015 foi de emoções fortes para os escalões de formação do Oriental e a época que se avizinha perspetiva-se de grandes mudanças. Vice-Presidente responsável pelo Futebol Juvenil do Oriental, José Carlos Pires aborda sem rodeios o trabalho realizado neste ano, a reestruturação planeada para a próxima época e o seu sonho ainda por concretizar. Palavras esclarecedoras do homem forte do Futebol Juvenil do Oriental, em exclusivo para a família Orientalista.  

   
 

- Olhando para a temporada 2014/2015 verificamos que os Juniores mantiveram-se na Divisão de Honra da AFL, os Juvenis alcançaram a subida à 1.ª Divisão da AFL e os Iniciados terminaram o campeonato em zona de despromoção à 2.ª Divisão da AFL. Considera que esta foi uma época positiva para o Futebol Juvenil do Oriental?

- Podemos afirmar que foi a época possível. Ao nível do futebol de 7, as duas equipas cumpriram o que se esperava ficando dentro dos cinco primeiros lugares das respetivas séries. A equipa de Infantis 7 de 1.º ano vai dar muitas alegrias aos orientalistas e os de 2.º ano vão subir praticamente todos para os Iniciados. Qualquer uma delas teve uma prestação muito positiva, inclusive nos Torneios da Páscoa onde a de 2.º Ano ganhou o Torneio do Vale da Pedra e a de 1.º Ano teve o Melhor Guarda-Redes no Torneio do Olivais Sul. A nível dos Iniciados sabíamos que ia ser uma época extremamente difícil e a verdade é que foi mesmo, ficámos em penúltimo lugar mas, não sei se é engano ou não, no escalonamento da AFL mantivemo-nos na 1.ª Divisão. De qualquer forma, com a subida dos miúdos dos Infantis 2.ª Ano esta época será melhor. No que diz respeito aos Juvenis a época foi muito boa, apesar de o título nos ter escapado na fase final, a subida de divisão foi excecional. A qualidade da nossa equipa não era adequada à 2.ª Divisão e felizmente conseguimos uma subida que muito nos orgulhou. Já os Juniores, por fatores vários, fizeram uma época aquém das expectativas que foram criadas. Era uma equipa praticamente toda de 1.º ano que podia ter alcançado muito mais do que o 5.º lugar final.

- Podemos esperar alterações substanciais na formação de Juniores para a temporada que se avizinha?

- A equipa de Juniores vai partir do zero uma vez que, por vicissitudes várias, ficámos apenas com 5 ou 6 jogadores da época passada. Dos Juvenis sobem 11 jogadores que em princípio ficarão todos e a nova equipa técnica está a trabalhar no sentido de trazer novos talentos para o Clube, sendo que alguns apareceram já nos primeiros treinos de captação. Será o ano zero para esta equipa de Juniores mas, não sabendo se a subida será ou não possível, estou convicto que vamos construir uma boa época e ficar nos lugares cimeiros da tabela classificativa.

- Que mudanças irão ocorrer em 2015/2016 no que concerne aos treinadores dos escalões jovens do Oriental?

- Foi decidido pela Direção que irá ser feita uma reestruturação interna ao nível dos treinadores do Futebol Juvenil a partir do próxima época desportiva, baseada na rotatividade a cada dois anos das equipas técnicas. Desta forma, o que ficou estabelecido foi que neste ano que se avizinha a equipa técnica dos Iniciados liderada por Sérgio Tomás transita para os Juvenis, a dos Juvenis liderada por David Favinha passa para os Juniores e a dos Juniores, até então orientada por Fernando Sérgio, passaria para os Iniciados. Este novo sistema tem o intuito de fazer com que os treinadores acompanhem o percurso total dos atletas, que como é sabido também se mantêm dois anos em cada escalão. Mas a verdade é que Mister Fernando Sérgio não aceitou esta decisão e optou por sair do Clube ainda antes do final da época. Para o lugar vago na equipa técnica de Iniciados optámos pela contratação de um jovem técnico que estava nas Escolinhas do Oriental, Cristiano Videira, que será certamente uma mais-valia. No que concerne aos Infantis o processo será semelhante na medida em que os treinadores David Baião e João Santos vão passar a trocar de escalão anualmente de forma a poderem acompanhar os mesmos atletas durante dois anos consecutivos.

- É uma reestruturação que visa também possibilitar a criação de laços entre os treinadores e os jogadores, contribuindo para a interiorização dos valores do Clube…

- Sem dúvida. Quando falamos de formação temos falar também da imagem que o Clube transparece para o exterior através das suas camadas jovens. É importante referir que este ano em termos disciplinares não tivemos grandes castigos a assinalar, dentro do balneário também correu tudo bem. É evidente que a nossa filosofia é a de preferirmos sempre jogadores que sintam a camisola do Oriental aos que sejam grandes craques mas falhem neste requisito, só assim podemos preservar a imagem e os princípios fundamentais do Clube. É isto que tem sido incutido em primeira instância nos treinadores, que já incorporaram o espírito por já cá estarem na sua maioria há vários anos, e por consequência nos atletas, que sabem que têm o propósito máximo de honrar o  nome do Oriental. De todos eles os orientalistas podem ter orgulho.

- Quais os objetivos desportivos do Futebol Juvenil do Oriental para a época 2015/2016?

- Nós numa primeira fase nunca exigimos nem estabelecemos à priori o objetivo da subida de divisão aos treinadores. Agora isso não nos impede de sonhar nem de ter consciência do valor das nossas equipas. Ao nível dos Juniores, por exemplo, sabemos que os Juvenis que transitaram para esse escalão têm muita qualidade ao ponto de até dois deles já terem sido sondados por clubes como o Nottingham Forest (Inglaterra) e o Sion (Suiça). Se todos eles ficarem poderemos ambicionar algo mais, mas como é sabido o atual quadro de transferências em atletas destas idades favorece apenas os grandes tubarões do futebol e faz com que a qualquer momento possamos perder os nossos melhores talentos. Esta é uma variável fundamental no futebol de formação atual com que tivemos que aprender a lidar e que nos obriga, de certa forma, a manter os pés bem assentes na terra a nível de objetivos desportivos.

- Uma realidade que também tem que ser considerada no enquadramento da questão das infraestruturas.

- As condições ao nível de infraestruturas estão longe de ser as melhores. Apesar de todos os esforços do Clube, o projeto do novo complexo desportivo ainda não avançou, o que nos obriga a aplicar quase metade do orçamento do Futebol Juvenil anual no aluguer do Campo do Ferroviário. É uma situação incontornável e muito difícil de gerir porque atualmente não existe outra hipótese. Sabemos que temos jogadores de qualidade mas as nossas condições por vezes impossibilitam que eles se mantenham por cá mais tempo, basta ver que somos o único clube desta zona de Lisboa que não tem um campo de futebol 11 sintético. Vamos fazendo os possíveis e os impossíveis sempre dentro das dificuldades existentes, mas é sensato dizer que o grande entrave ao desenvolvimento do Futebol Juvenil do Oriental está nas condições de trabalho.

- Está prevista a abertura de novas captações para o início do mês de Setembro. Quer deixar alguma palavra aos jogadores que queiram vir mostrar o seu valor ao Oriental?

- Todos os jovens são bem-vindos ao Oriental, um Clube histórico da zona de Lisboa que tem muito gosto em acolher todos os atletas que gostem de futebol, nunca esquecendo que a grande bandeira da formação do Oriental é a de formar os jovens enquanto atletas e enquanto homens. Temos o exemplo dos treinadores dos Infantis que no final de cada período escolar pedem as notas escolares aos miúdos e articulam-nas com as convocatórias para os jogos. Quem quiser vir para cá sabe que é esta a nossa forma de atuar e assim vai continuar a ser.

- Na entrevista concedida há cerca de um ano disse que “o Futebol Juvenil do Oriental vai dar cartas a nível nacional”. Considera que essa ambição está hoje mais próxima?

- Continuo a ter essa ambição, só que as condições não o vão permitindo. Como todos os orientalistas sabem a temporada passada foi complicada em termos financeiros para o Futebol Sénior e estas dificuldades refletiram-se também no Futebol Juvenil, mas apesar de tudo continuo a ter fé que esse sonho será concretizado a médio/longo prazo. O futuro de clubes como o Oriental passa por apostar na formação para alimentar a equipa principal e nós continuamos a trabalhar no sentido de tornar este propósito possível. E é preciso salientar que todo este trabalho só é possível graças aos cerca de 30 elementos, entre treinadores, seccionistas, fisioterapeutas e roupeiro, que por paixão trabalham quase diariamente para o Futebol Juvenil do Oriental prescindindo de muito a nível pessoal e familiar. A todos os que dedicaram todo o seu esforço em prol do Futebol Juvenil do Oriental até ao final da época, a Direção do Clube Oriental de Lisboa deixa o seu sincero agradecimento, com a certeza de que o futuro do Oriental assentará com certeza no Futebol Juvenil.

Entrevista e Fotografia: Diogo Taborda