A 23 de Novembro de 2014 os Guerreiros de Marvila escreveram em pleno Campo Eng.º Carlos Salema mais uma bela página da História do Clube Oriental de Lisboa.

Guerreiros que à flor do relvado ou nos degraus das bancadas da nossa renovada casa deram ao Oriental a vitória por 1-0 sobre o Vitória de Setúbal que valeu a passagem aos oitavos-de-final da Taça de Portugal, 38 anos mais tarde. Um triunfo que é de todos nós e que traduz a filosofia de um Clube que nasceu e permanece sempre virado para a glória, por via do trabalho e paixão de todos os seus intervenientes.

 
 
 

Foi estrondosa a exibição do Oriental frente a um adversário com os argumentos próprios de um clube do escalão máximo do futebol português. Superior ao longo da totalidade dos 90 minutos, o Oriental deu o primeiro aviso de que estava no jogo para ganhar logo aos 17 minutos através de um remate potente de meia distância de Valdo Alhinho defendido com dificuldade por Ricardo Batista. À passagem do minuto 32 Henrique Gomes arrancou a todo o gás pela meia direita e serviu Saleiro que, isolado, acabou por permitir o corte a Frederico Venâncio. Ainda antes do intervalo Tiago Mota tentou à bomba a sua sorte (34’) mas as luvas do guardião sadino seguraram o nulo no marcador que se manteve até ao descanso intermédio.

A etapa complementar teve início com o golo do Oriental quando o cruzamento a meia altura de João Pedro encontrou o pé direito de François que de forma involuntária colocou a bola no interior da baliza do V. Setúbal (47’). Totalmente justo pelo ascendente que o Oriental revelara até ao momento, o autogolo que conferiu a vantagem ao conjunto grená e branco galvanizou os pupilos de João Barbosa e Carlos Saleiro voltou a estar perto de fazer o gosto ao pé aos 56 minutos, não fosse o corte in extremis de François. Pouco depois Tom surgiu solto na esquerda e com um remate colocado obrigou Ricardo Batista a uma defesa de recurso com a ponta dos dedos, desviando a bola para canto (65’).

O Vitória criou perigo aos 71 minutos num lance em que Júnior Ponce e Miguel Pedro puseram à prova os reflexos de Ricardo Janota, mas se a missão de Domingos Paciência já se assemelhava quase impossível pior ficou quando Dani viu o segundo amarelo aos 85 minutos e deixou a sua equipa reduzida a dez unidades. Até ao apito final o Oriental manteve-se coeso no sector defensivo e não permitiu que o adversário voltasse a incomodar Janota, consumando-se assim uma vitória justíssima por toda a entrega, dedicação e quase perfeição tática demonstrada pela equipa do Oriental ao longo de toda a partida.

Uma performance imaculada que coloca o Oriental nos oitavos-de-final para regozijo das várias centenas de orientalistas presentes nas bancadas do Campo Eng.º Carlos Salema, naquele que foi o primeiro jogo transmitido em direto na televisão a partir da nossa carismática e renovada casa. Uma partida disputada à noite, como nem os mais antigos se lembram de assistir no Carlos Salema, que se consubstancia numa demonstração de vitalidade de um Clube que tem a ambição de continuar a crescer.

O sonho está vivo!