A História do Clube Oriental de Lisboa ganhou uma nova vida na tarde de 17 de Maio do 2014. Cerca de 80 antigos jogadores e dirigentes do nosso Clube reuniram-se num memorável almoço de convívio no restaurante O Beiral, nos Olivais, e as recordações sucederam-se em catadupa, sempre envolvidas por uma paixão que não desvanece com o tempo.

O ponto de encontro estava marcado para as 11h00 no mítico Largo do Poço do Bispo e foi por essa altura que os abraços se começaram a multiplicar. Cumprimentos entre velhos amigos, companheiros de longa data que há muito não se encontravam em virtude das peripécias da vida mas que o destino voltou a juntar pelo eterno elo de ligação comum que é o Oriental. Foi naquele mesmo local, bem perto da atual Sede do COL, que José Roçado se dispôs a relatar alguns episódios de um Clube em que a “vida sempre foi extraordinária”.

 
Fotografia de grupo de todos os presentes no almoço de confraternização.
 
  Único elemento vivo da equipa inaugural do COL de 1946, Roçado afirmou com orgulho ter sido “o primeiro número 7 do futebol português” pelo simples facto de nessa partida frente ao Belenenses o Oriental ter introduzido em Portugal a novidade dos números estampados nas camisolas. O antigo extremo-direito relembrou com saudade os tempos em que “quando era puto jogava à bola no bairro com o Rogério”, o mesmo Pipi que mais tarde fez parte da equipa que conquistou o famoso quinto lugar na 1.ª Divisão Nacional. Presente no almoço com a grande juventude de espírito que aos 91 anos o caracteriza, Rogério Pipi garantiu ter “o sonho de voltar a ver o Oriental na 1.ª Divisão antes de calçar os patins” e partilhou com humor a história da sua vinda para o COL. 

“Eu tinha prometido ao meu irmão França que quando deixasse o Benfica ia jogar para o Oriental. Quando fiz a minha festa da despedida ele cobrou-me a promessa e eu disse-lhe que já tinha transmitido ao Benfica que não queria ir para outro Clube que não fosse o Oriental por ser o Clube do meu bairro e aquele que eu adoro. Vim para cá a custo zero, subimos à 1.ª Divisão e na época seguinte alcançámos a prestação memorável que nos é reconhecida e que eu nunca vou esquecer”, confidenciou.

Quem também fez questão de participar neste amigável convívio foi Amílcar, o ponta-de-lança que virou defesa central no mais alto escalão do futebol nacional. Estávamos na temporada de 1973/1974 quando o jovem Amílcar, parte integrante da equipa que acabara de ascender à 1.ª Divisão, foi adaptado num jogo particular disputado na Madeira a defesa-esquerdo devido ao aglomerado de lesões existentes nos jogadores daquele setor. A experiência correu bem e daí passou a defesa central para apenas três meses mais tarde ser chamado à Seleção de Esperanças e se tornar no primeiro jogador de futebol internacional do Clube Oriental de Lisboa. “Para alguém que nasceu no campo do Oriental como eu, esse momento foi uma enorme honra e algo que ainda hoje me enche de orgulho”, referiu.

Colega de equipa de Amílcar nessa época foi Candeias, o gigante central que deixou a sua marca no Oriental por ter marcado o golo que catapultou a formação de Marvila para a primeira categoria do futebol português com um cabeceamento para mais tarde recordar. “Tudo aconteceu no jogo contra o União de Coimbra, mais especificamente num livre marcado pelo Luciano em que eu fui lá à frente e de cabeça, pumba, meti a bola lá para dentro. Caiu tudo em cima de mim, aquele golo valeu a subida ao Oriental mais de 15 anos depois”, constatou Candeias.

Num ambiente familiar onde os sorrisos despontavam no olhar de todos aqueles que reviviam em emocionadas palavras os momentos passados em representação do COL, foi já depois da sobremesa ser servida que José Fernando Nabais discursou para todos os presentes. O atual Presidente do Clube Oriental de Lisboa referiu ser “um enorme privilégio ter a oportunidade de ver a família orientalista reunida” e de conviver com jogadores que eram seus “ídolos”, fazendo questão de “agradecer a todos em nome do Oriental o facto de continuarem a transportar o nosso Clube no coração”. De olhos postos no futuro, José Fernando Nabais garantiu que “o sonho do Oriental continua bem vivo” e reafirmou a vontade de “dar uma alegria à nossa massa associativa, aos que estão entre nós e a todos os que já partiram e que também a gostariam de presenciar”.

Seguindo a emotividade do discurso anterior, Nobre Alves quis também proferir algumas palavras naquele que foi “um dos dias mais felizes” da sua vida. Recordando os tempos passados “com muita saudade”, o antigo Presidente do Oriental confessou que “já ansiava por este momento há muitos anos” e despediu-se com uma frase bem direcionada para algo que pode vir a acontecer. “Tenho fé que daqui por algum tempo possamos estar novamente reunidos para festejar alguma coisa”, concluiu emocionado.

Muitas foram as personalidades da História do Oriental que marcaram presença neste almoço que se prolongou pela tarde fora. Entre o sempre excêntrico e bem-disposto Alfredo Xangai, o “eterno apaixonado pelo Oriental” Muller e muitos outros, seria quase impossível enumerar todos aqueles que fizeram parte desta bonita celebração. Eternas glórias que representam a mística do Oriental, heróis do passado e exemplos no presente. É este o espírito de união que caracteriza a família orientalista e que se pretende ver sempre propagado, símbolo de um Clube grande que continua a lutar por um futuro risonho.

O sonho está vivo!
Oriental: Mais que um Clube, uma Paixão.